

Nada na vida é fácil!
É preciso ser-se muito forte e ter muita determinação para enfrentar as adversidades da vida e para atingirmos os nossos objectivos principalmente quando se vive em meios pequenos com perspectivas de futuro um pouco limitadas para as novas gerações. Isto acaba por influenciar aquilo que todos nós sabemos como o êxodo rural e a Emigração.
Apesar de linda Arouca é uma dessas terras!!!
Muitos dos seus filhos partiram na procura de um futuro melhor quando esta ainda não tinha grandes actividades além da Agricultura.
Há muitos anos a sua subsistência dependia da actividade agrícola, era essa uma das poucas formas de subsistir no tempo dos meus avós, mas felizmente e com o passar dos anos Arouca foi-se desenvolvendo.
Depois de implantada a actividade industrial criaram-se novos postos de trabalho, as pessoas deixaram de se dedicar tanto á agricultura embora ainda seja praticada não só como forma de subsistência como também para consumo particular porque toda a gente gosta de plantar, cuidar, colher e alimentar-se com aquilo que de bom a terra nos dá principalmente aqueles que nunca souberam fazer outra coisa.
Recordo-me perfeitamente do cheirinho do leite acabado de ordenhar da vaca que durante tantos anos me foi servido ao pequeno almoço!!!
Parte do mundo em que nasci foi destruído mas nada o vai apagar da minha memória.
Com o tempo vi o Posto onde levava o leite fechar, vi os meus pais deixarem de criar as vaquinhas .Optaram por outro tipo de gado e embora continuem a cultivar terras, nada é como antes.
Vi as árvores que tantas vezes me deram abrigo ao longo do caminho de terra que percorria para ir levar o leite ao Posto desaparecerem e darem lugar ao local por onde passa agora uma variante, mas ao irem-se embora deixaram-nos um tesouro muito antigo, um pote cheio de moedas do tempo dos grandes Reis. Deixaram também a descoberto uma cobra Moura que se abrigava entre as raízes de uma dessas pobres arvores derrubadas. Esta era temida por muita gente pelas lendas que são contadas pelos antigos.
Conta o meu avô que uma vez se cruzou com uma e que esse encontro foi para não esquecer. Descreveu-a como sendo preta, com cabelo no dorso e que deveria ter garantida a largura de um braço mas que era capaz de se esticar de tal maneira que passava num buraquinho com menos de metade da seu diâmetro. Isso já é extraordinário, mas ainda há mais pois segundo os antigos ela era capaz de reencarnar numa pessoa. As pessoas do campo ao verem uma cobra tem tendência a quererem mata-la pois tem medo de serem mordidos ou que estas entrem nos currais das vacas para sugarem o seu leite. Por estas razões eram mesmo mortas.
Mas o medo da cobra Moura era bem maior porque esta era capaz de matar a pessoa que a atacasse se esta não lhe desferisse sangue e a deixasse morta. Se isto não acontecesse a pessoa que a atacara era morta ouvindo-se de seguida um grito capaz de deixar os cabelos em pé a qualquer um, e reencarnava na pessoa que a tentara matar.
Foi o que aconteceu ao meu avô quando ouviu o seu grito ensurdecedor.
Antigamente não se tinha o hábito de chamar enfermeiros para dar injecções nas pessoas doentes que estavam acamadas. Recorriam-se aos vizinhos que tinham mais habilidade para o fazer.
O meu avô era uma dessas pessoas.
Depois de ir atender o senhor que precisava da injecção dirigiu-se para casa. Estava uma noite de luar, cheia de estrelas no céu, via-se perfeitamente.
Caminhava... e começou a ouvir um “restolhar” nas folhas mas não viu nada. Decidiu investigar e lá estava ela...a cobra Moura..
Ao aperceber-se da sua presença a cobra fugiu mas ele seguiu-a até perto de uma mina e foi então que ouviu o seu grito quase como um aviso para a deixar e sentiu o seu chapéu levantar-se sob o seu cabelo completamente de pé, completamente arrepiado.
Neste caso não reencarnou em ninguém porque no meu avô não a atacou, apenas a seguiu, mas deixou o aviso.
Viu-a então depois entrar num buraco apertadinho e esticar-se, esticar-se, esticar-se enquanto entoava o seu grito.
O meu avô diz também que tem pena de não ter nada á mão para a matar naquela altura, para que todos a vissem.
Eu não acho nada disso... porque assim ficarão como lenda, mais uma de tantas outras fantásticas que há para contar.
Dizem que a que apareceu aqui perto era enorme mas estava morta porque teria sido cortada pela máquina que fazia o desaterro. Mas isto serve para que todos saibam que algures pode existir uma destas criaturas fantásticas que deixam qualquer homem de cabelos em pé!!!
Arouca é pequenina mas tem muito para contar e para descobrir....
É por isso que até gosto dela e não a trocaria por cidade alguma...
Andreia Pinho
É preciso ser-se muito forte e ter muita determinação para enfrentar as adversidades da vida e para atingirmos os nossos objectivos principalmente quando se vive em meios pequenos com perspectivas de futuro um pouco limitadas para as novas gerações. Isto acaba por influenciar aquilo que todos nós sabemos como o êxodo rural e a Emigração.
Apesar de linda Arouca é uma dessas terras!!!
Muitos dos seus filhos partiram na procura de um futuro melhor quando esta ainda não tinha grandes actividades além da Agricultura.
Há muitos anos a sua subsistência dependia da actividade agrícola, era essa uma das poucas formas de subsistir no tempo dos meus avós, mas felizmente e com o passar dos anos Arouca foi-se desenvolvendo.
Depois de implantada a actividade industrial criaram-se novos postos de trabalho, as pessoas deixaram de se dedicar tanto á agricultura embora ainda seja praticada não só como forma de subsistência como também para consumo particular porque toda a gente gosta de plantar, cuidar, colher e alimentar-se com aquilo que de bom a terra nos dá principalmente aqueles que nunca souberam fazer outra coisa.
Recordo-me perfeitamente do cheirinho do leite acabado de ordenhar da vaca que durante tantos anos me foi servido ao pequeno almoço!!!
Parte do mundo em que nasci foi destruído mas nada o vai apagar da minha memória.
Com o tempo vi o Posto onde levava o leite fechar, vi os meus pais deixarem de criar as vaquinhas .Optaram por outro tipo de gado e embora continuem a cultivar terras, nada é como antes.
Vi as árvores que tantas vezes me deram abrigo ao longo do caminho de terra que percorria para ir levar o leite ao Posto desaparecerem e darem lugar ao local por onde passa agora uma variante, mas ao irem-se embora deixaram-nos um tesouro muito antigo, um pote cheio de moedas do tempo dos grandes Reis. Deixaram também a descoberto uma cobra Moura que se abrigava entre as raízes de uma dessas pobres arvores derrubadas. Esta era temida por muita gente pelas lendas que são contadas pelos antigos.
Conta o meu avô que uma vez se cruzou com uma e que esse encontro foi para não esquecer. Descreveu-a como sendo preta, com cabelo no dorso e que deveria ter garantida a largura de um braço mas que era capaz de se esticar de tal maneira que passava num buraquinho com menos de metade da seu diâmetro. Isso já é extraordinário, mas ainda há mais pois segundo os antigos ela era capaz de reencarnar numa pessoa. As pessoas do campo ao verem uma cobra tem tendência a quererem mata-la pois tem medo de serem mordidos ou que estas entrem nos currais das vacas para sugarem o seu leite. Por estas razões eram mesmo mortas.
Mas o medo da cobra Moura era bem maior porque esta era capaz de matar a pessoa que a atacasse se esta não lhe desferisse sangue e a deixasse morta. Se isto não acontecesse a pessoa que a atacara era morta ouvindo-se de seguida um grito capaz de deixar os cabelos em pé a qualquer um, e reencarnava na pessoa que a tentara matar.
Foi o que aconteceu ao meu avô quando ouviu o seu grito ensurdecedor.
Antigamente não se tinha o hábito de chamar enfermeiros para dar injecções nas pessoas doentes que estavam acamadas. Recorriam-se aos vizinhos que tinham mais habilidade para o fazer.
O meu avô era uma dessas pessoas.
Depois de ir atender o senhor que precisava da injecção dirigiu-se para casa. Estava uma noite de luar, cheia de estrelas no céu, via-se perfeitamente.
Caminhava... e começou a ouvir um “restolhar” nas folhas mas não viu nada. Decidiu investigar e lá estava ela...a cobra Moura..
Ao aperceber-se da sua presença a cobra fugiu mas ele seguiu-a até perto de uma mina e foi então que ouviu o seu grito quase como um aviso para a deixar e sentiu o seu chapéu levantar-se sob o seu cabelo completamente de pé, completamente arrepiado.
Neste caso não reencarnou em ninguém porque no meu avô não a atacou, apenas a seguiu, mas deixou o aviso.
Viu-a então depois entrar num buraco apertadinho e esticar-se, esticar-se, esticar-se enquanto entoava o seu grito.
O meu avô diz também que tem pena de não ter nada á mão para a matar naquela altura, para que todos a vissem.
Eu não acho nada disso... porque assim ficarão como lenda, mais uma de tantas outras fantásticas que há para contar.
Dizem que a que apareceu aqui perto era enorme mas estava morta porque teria sido cortada pela máquina que fazia o desaterro. Mas isto serve para que todos saibam que algures pode existir uma destas criaturas fantásticas que deixam qualquer homem de cabelos em pé!!!
Arouca é pequenina mas tem muito para contar e para descobrir....
É por isso que até gosto dela e não a trocaria por cidade alguma...
Andreia Pinho
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